Google+

"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

Compartilhe

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Vamos organizar o Deus de Rubem Alves

04-Rubem-AlvesRicardo Alexandre, no R7
Com a morte de Rubem Alves, aos 80 anos no último sábado (19/07), começará oficialmente o veloz processo de avaliação, reavaliação e organização de seu pensamento. É um crime, por um lado. Vivo, o pedagogo, escritor, teólogo, poeta e psicanalista permitia-se o direito à dúvida, as incertezas, ao paradoxal. Agora morto, será estudado até que dele não sobre mais do que as certezas sobre o que pensou, o que pretendeu. E quem sabe?
É um crime, mas é inevitável também. Seu pensamento sobre espiritualidade, por exemplo (talvez o campo mais intangível de todas as suas ocupações), foi um dos mais avessos à sistematização. Mas agora virão os que dele beberam e tentarão domesticá-lo, porque dele são/somos devedores, porque esperam/esperamos que dele se sirvam as futuras gerações.
Bem, serei o primeiro desses criminosos.
Rubem Alves foi um pastor progressista no interior de Minas Gerais nos anos 1950. Foi pastorear “gente pobre e simples” com a cabeça cheia de Albert Schweitzer, Miguel de Unamuno e Kierkegaard. Nos eventos que se seguiram ao golpe militar, acabou denunciado pela própria Igreja Presbiteriana como subversivo, e exilou-se nos Estados Unidos onde trabalhou em seu mestrado A Theology of Human Hope, que é considerado uma das pedras fundamentais do que viria a ser chamado de teologia da libertação.
Quando, pressionado, decidiu romper com a igreja e abandonar o ofício pastoral, tornou-se crítico ferrenho da religião institucionalizada e do chamado “protestantismo de reta doutrina”. Sua “Carta aberta aos companheiros da antiga Igreja Presbiteriana” e seu livroProtestantismo e repressão, mesmo que urdidos em mágoa, foram plantados nos anos 1970 e brotaram, primeiro no ambiente acadêmico onde nasceram (Alves foi professor de filosofia na Unicamp até se aposentar), depois em jovens estudantes de teologia que começaram a pensar o cristianismo para um mundo pós-moderno, menos ingênuo e mais urbano, com instituições em cheque, verdades sub judice, dezenas de tons de cinza entre o branco e o preto. A influência desse pensamento heterodoxo dentro da teologia ortodoxa talvez seja um dos maiores e mais improváveis legados de Alves. Sua morte foi chorada por católicos (“um dos grandes”, disse o padre Fábio de Melo), por pentecostais (“seu legado me acompanhará por toda a vida”, tuitou Ricardo Gondim), por batistas, presbiterianos e afins.
“Toda certeza provoca inquisições”, disse a Geneton Moraes Neto na bela entrevista da GloboNews, reprisada neste último fim de semana. “Por isso corro das certezas. Prefiro as perguntas”. Vivo, Geneton passou a vida fugindo das respostas. Morto, pode ver finalmente fechar as feridas que a religião lhe causou e ver surgir uma teologia na qual as dúvidas não são parte do problema da falta de fé, mas componente essencial no alumbramento do homem diante do Divino. Como descreveu poeticamente em seu livro O infinito na palma de sua mão:
Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas.
Para voar, é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso, trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas da gaiola estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão suas vidas.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Para 30% dos americanos, religião está ultrapassada

A maioria dos que acreditam na religião caiu para 57%

Os Estados Unidos já não podem ser apontados como um dos países mais religiosos do mundo, porque ali, embora a quase totalidade acredite em Deus, a credibilidade as instituições que representam as crenças está em rápido declínio.

O Gallup apurou que 30% dos americanos pensam que a religião está ultrapassada porque, em muitos casos, pregam valores que não fazem sentido hoje em dia. Em 1957, o número de pessoas que não levavam a religião a sério era de apenas 7%.

Do total da população, 57% dos norte-americanos ainda acreditam que a religião pode resolver os problemas do país, mas não se sabe por quanto tempo essa maioria vai perdurar.

Outra pesquisa do Gallup feita no começo do ano, 41% dos norte-americanos são muito religiosos. O restante se divide entre pouco religioso e não religioso.

Entre os mais religiosos, destacam-se as pessoas com mais 65 anos de idade, os conservadores políticos e as pessoas que vivem no sul do país.

Record intima artistas a inaugurar templo da Universal e cria mal-estar


625_315_1404345623Ana_Hickmann_Templo_Salomao
ANTONIO CHAHESTIAN/TV RECORD
Publicado no Notícias da TV
A Record está convidando apresentadores, atores e jornalistas para a inauguração do templo de Salomão, projeto faraônico da Igreja Universal do Reino de Deus, no próximo dia 31, em São Paulo. Os convites, no entanto, estão sendo interpretados como intimação, porque a Universal é liderada pelo bispo Edir Macedo, dono da Record. “Não se recusa convite do dono da empresa”, justifica um jornalista, que pede para não ser identificado.
A iniciativa da Record gerou constrangimentos nos bastidores da emissora. Elenco e executivos contrários à convocação argumentam que não se deve misturar religião com trabalho. Profissionais temem se “queimar” no mercado se aparecerem em fotos e reportagens sobre a inauguração do templo, que deverá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff, contrariando conselhos de assessores do PT. Alguns artistas já estão providenciando viagens e compromissos fora de São Paulo no dia 31 para terem uma boa desculpa para a ausência.
Todos os apresentadores, os principais jornalistas e algumas dezenas de atores já foram ou serão convocados para irem à inauguração da igreja, que terá lugar para 10 mil pessoas sentadas. Vários nomes de peso já são dados como certos no evento, entre eles os apresentadores Rodrigo Faro, Ana Hickmann e Edu Guedes e os jornalistas Celso Freitas e Adriana Araújo, do Jornal da Record.
Em construção desde 2010, o templo é uma réplica ampliada da lendária igreja construída pelo bíblico rei Salomão em Jerusalém, há mais de 2.500 anos, com o interior e o altar cobertos de ouro. O templo de Edir Macedo está sendo erguido no bairro do Brás, na zona leste de São Paulo. Com 74 mil metros quadrados de área construída e 56 metros de altura, o equivalente a um prédio de 18 andares.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Na dor do suicídio


Dói lembrar o dia em que João correu ao meu lado. Ele tinha 25 anos de idade e era magro. Como João corria leve e sem esforço, mantinha o ritmo com fôlego para conversar. Súbito, meu companheiro confessou: - Estou deprimido. Perguntei se ele identificava alguma raiz para a tristeza. – Medo de fracassar - retrucou entre um passo e outro.
Gastei o restante do percurso procurando tranquilizá-lo. – João, descanse. Deus nos ama sem cobrar desempenho. Mesmo quando não alcançamos êxito, continuamos queridos. Acrescentei ainda: -Deus, ao contrário das pessoas, não desiste dos malsucedidos.
Duas semanas depois, a notícia me devastou: João cometeu suicídio. Sempre que alguém tira a própria vida, as ondas que o desespero produz arrastam muitos com ela. Toda a morte agride, mas aquela me abateu sobremaneira. Eu amava aquele rapaz. Meus conselhos e orações não ajudaram. Terapia e carinho de outras pessoas também foram inúteis. Nada reverteu o desânimo de um jovem apavorado com o porvir. Assim, João se puniu com um castigo irreversível. E, junto, maltratou família e amigos.
João receava o futuro. Por mais que se esforçasse, não conseguia reverter o pavor de enfrentar os possíveis fracassos que viriam em sua vida.
Angústia e depressão fazem parte da existência. Vários personagens da história – secular e bíblica – tentaram fugir da existência em cavernas escuras – caverna como metáfora do exílio que impomos a nós mesmos em tempo de melancolia. Abatidos, preferimos a solidão ao desgaste de enfrentar a crueza da vida. Desesperança solapa a última força que alimenta a resiliência. A apatia do angustiado rouba o sono e, à noite, fortalece um pessimismo vicioso. Depois que acorda, a depressão sugere a morte como saída.
No trágico suicídio do João, aprendi: as pessoas perdem a fobia de morrer quando a precariedade de viver os aterroriza. Para evitar uma vida sem sentido, optam pelo vazio. A noção de se arrastar no dia a dia, sem perspectiva, leva ao desejo de não mais existir.
Milan Kundera afirmou: Todo mundo tem dificuldade de aceitar o fato de que desaparecerá, desconhecido e despercebido, num universo indiferente. A frase, entretanto, só se aplica enquanto sobra ânimo para criar um amanhã diferente. Se o universo parece indiferente e, junto, a existência perde a razão de ser, a fúria da morte deixa de ameaçar.
Me contaram-me, meses depois, que João atravessou a infância sob o imperativo de agradar o pai. Por mais que se esforçasse, ele nunca achou que conseguiria. Sempre que jogava futebol, olhava para a arquibancada; queria ganhar um sorriso de aprovação – que jamais se esboçou. No dia em que se formou em engenharia, João não celebrou. Sem ser o melhor aluno, ele não via porquê na alegria. Assim, ao projetar a vida futura, o jovem engenheiro olhava em retrospectiva, hipertrofiava os erros e se deprimia, imaginando novos fracassos.
João cresceu em uma igreja rígida, conservadora. Em seu mundo, as exigências de um Deus, igualmente, difícil de ser agradado eram ressaltadas. Ele participava de um segmento em que oSenhor é rigoroso. Alguns se espantam quando Gilberto Gil canta: Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que aceitar a dor/ Tenho que comer o pão/ Que o diabo amassou/ Tenho que virar um cão/ Tenho que lamber o chão. Contudo, a fé popular confirma o conteúdo da música. Daí se multiplicarem igrejas que não deixam ninguém esquecer as dívidas incalculáveis para com uma divindade implacável na defesa da sua própria honra, da lei e dos seus caprichos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Criando o Universo: "E Disse Deus..."

2348


Carlos Ruas, em Um Sábado Qualquer

O ensino de Jesus sobre dinheiro


Dinheiro não é força neutra. Ele conspira contra nós, semelhante a uma divindade má. Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamóm – dinheiro – Mateus 6.24.
A ansiedade do idólatra – de não saber o humor da divindade – não deve contaminar a oração. Não é necessário rastejar, fazer sacrifício, penitência, corrente de oração ou qualquer outro mecanismo para “conseguir” coisas de Deus. Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo… Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no fogo, não vestirá muito a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não fiquem ansiosos, dizendo, “o que vamos comer?” ou o “que vamos beber?” “ou o que vamos vestir?” Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas… Mateus 6.28-32
Fé não consiste na disciplina de ficar horas e horas repetindo a mesma prece. Bombardear o céu com inúmeras petições ou amealhar uma multidão de intercessores para “alcançar” um milagre não condiz com a percepção de Deus como pai-mãe amoroso e bondoso. Quando orarem, não fiquem repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem – Mateus 6.7-8.
Seus discípulos não devem acumular riquezas nesta vida – uma das falsas seguranças do dinheiro consiste em garantir o futuro. Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões roubam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não roubam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração – Mateus 6.19-20
Os seguidores de Jesus devem buscar não bênçãos, milagres, prosperidade, vantagem pessoal, mas um mundo justo, solidário, inclusivoBem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos – Mateus 5.6. Deus não é meio de subir e passar pelas apertadas malhas sociais. Busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas lhe serão acrescentadas – Mateus 6.33
Riqueza é obstáculo para entender, viver e divulgar os valores do reino de DeusComo é difícil aos ricos entrar no reino de Deus. De fato, mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus. – Lucas 18.24.
Ostentação de roupas caras, jóias e supérfluos – comportamento dos falsos –  não condizem com seus seguidores. Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, e gostam muito de receber saudações na praças e ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses homens serão punidos com mais rigor – Lucas 20.46-47.

Compartilhe no Facebook

Related Posts with Thumbnails